{"id":445,"date":"2012-04-27T12:49:46","date_gmt":"2012-04-27T14:49:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.dickinson.edu\/portugueseclub\/?p=445"},"modified":"2012-04-27T12:58:18","modified_gmt":"2012-04-27T14:58:18","slug":"as-reformas-ortograficas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.dickinson.edu\/portugueseclub\/2012\/04\/27\/as-reformas-ortograficas\/","title":{"rendered":"As reformas ortogr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.brasilescola.com\/upload\/e\/Reformas%20-%20BRASIL%20ESCOLA%281%29.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"287\" \/><br \/>\n<span style=\"font-size: xx-small\">Em diversos momentos, a l\u00edngua portuguesa sofreu transforma\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o de sua grafia.<\/span><\/div>\n<p>Nesse ano, cursinhos preparat\u00f3rios, col\u00e9gios, professores e alunos passaram a reorientar os padr\u00f5es da escrita com o estabelecimento da reforma ortogr\u00e1fica. Para muitos, essa mudan\u00e7a \u00e9 mal\u00e9fica e n\u00e3o oferece vantagens compat\u00edveis a todo o esfor\u00e7o que se tem para abandonar as antigas formas agora consideradas err\u00f4neas. Outros apontam que esse tipo de mudan\u00e7a na l\u00edngua se faz importante na elabora\u00e7\u00e3o de uma mesma grafia para todos os pa\u00edses que adotam o portugu\u00eas como l\u00edngua p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se imagina, todas essas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o mero fruto da modernidade e de todos os interesses diplom\u00e1ticos, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que cercam a quest\u00e3o. Desde sempre, o portugu\u00eas, assim como outras diversas l\u00ednguas espalhadas pelo mundo, sofre modifica\u00e7\u00f5es. Com isso, podemos salientar uma historicidade em nossas reformas ortogr\u00e1ficas que, na verdade, come\u00e7aram a existir desde o s\u00e9culo dezesseis.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca dos anos de 1500, a l\u00edngua portuguesa era bastante carente de qualquer tipo de padroniza\u00e7\u00e3o em sua escrita. Cada pessoa que escrevia elaborava um sistema de regras pr\u00f3prio que, na grande maioria dos casos, seguia o som estabelecido pela pr\u00f3pria palavra. Em muitas situa\u00e7\u00f5es, um mesmo termo era escrito com ou sem \u201cgu\u201d, \u201cqu\u201d ou \u201cy\u201d. Dessa forma, a leitura de documentos dessa \u00e9poca \u00e9 extremamente complicada e dificultosa.<\/p>\n<p>Entretanto, no desenrolar da Renascen\u00e7a, os intelectuais lusitanos quiseram rebuscar a escrita da l\u00edngua com o uso e o abuso de classicismos que infestaram sua escrita com a ado\u00e7\u00e3o de grafemas com \u201cy\u201d, \u201cph\u201d, \u201cth\u201d e \u201crh\u201d. Para exemplificar esse novo per\u00edodo, podemos dizer que \u201cAs medica\u00e7\u00f5es oferecidas pelo pharmacia n\u00e3o curam os males que observamos nos dramas do theatro\u201d. Enquanto isso, o portugu\u00eas sofria outras interven\u00e7\u00f5es ao se misturar com as l\u00ednguas ind\u00edgenas e africanas do Brasil Colonial.<\/p>\n<p>A salada de express\u00f5es e grafias sofreu um controle maior no per\u00edodo em que o despotismo ilustrado tomava conta da administra\u00e7\u00e3o lusitana. Sob a tutela de marqu\u00eas de Pombal, novas leis determinavam uma padroniza\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas com a cria\u00e7\u00e3o das Aulas R\u00e9gias, que seriam ministradas por professores leigos. Dessa forma, o portugu\u00eas falado no Brasil foi tomando linhas mais n\u00edtidas e perdeu uma s\u00e9rie de seus indigenismos e africanismos.<\/p>\n<p>A primeira reforma que se tem not\u00edcia aconteceu em 1911, quando o fil\u00f3logo Gon\u00e7alves Viana defendeu a simplifica\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e seu distanciamento do latim. Inicialmente, o Brasil adotou a ideia, mas logo retrocedeu na decis\u00e3o ao recuperar o uso do \u201cph\u201d e \u201cch\u201d. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, um projeto de simplifica\u00e7\u00e3o foi mais uma vez elaborado, contudo o governo de Get\u00falio Vargas anulou o padr\u00e3o. Somente quatro anos mais tarde, por press\u00e3o dos professores, algumas novidades foram incorporadas.<\/p>\n<p>Em 1943, uma nova conven\u00e7\u00e3o foi organizada, mas s\u00f3 os brasileiros decidiram utilizar as mudan\u00e7as, como a substitui\u00e7\u00e3o do \u201cz\u201d pelo \u201cs\u201d na grafia da palavra \u201ccasa\u201d. Dois anos mais tarde, foi o Brasil quem n\u00e3o aceitou o uso de algumas consoantes mudas (\u201cafecto\u201d \u201c\u00f3ptico\u201d) e o abandono completo do trema. Somente vinte e seis anos mais tarde, o Brasil decidiu abolir alguns tremas e acentos diferenciais (\u201calm\u00f4\u00e7o\u201d, s\u00f2mente, sa\u00fcdade).<\/p>\n<p>At\u00e9 chegarmos ao acordo que reuniu todas as na\u00e7\u00f5es lus\u00f3fonas, aconteceu um encontro anterior em 1986. Nessa pen\u00faltima reuni\u00e3o sediada no Rio de Janeiro, foram apontadas v\u00e1rias das mudan\u00e7as incorporadas ao acordo ortogr\u00e1fico atual. Segundo o mesmo, os portugueses s\u00f3 abrir\u00e3o m\u00e3o do uso de certas consoantes mudas no ano de 2017.<\/p>\n<p>Vigente a partir do ano de 2009, o novo acordo ortogr\u00e1fico gera a expectativa em muitos que desconfiam do seu efetivo cumprimento.<\/p>\n<p>Por Rainer Sousa<br \/>\nGraduado em Hist\u00f3ria<br \/>\nEquipe Brasil Escola<br \/>\nFonte: http:\/\/www.brasilescola.com\/curiosidades\/as-reformas-ortograficas.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em diversos momentos, a l\u00edngua portuguesa sofreu transforma\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o de sua grafia. Nesse ano, cursinhos preparat\u00f3rios, col\u00e9gios, professores e alunos passaram a reorientar os padr\u00f5es da escrita com o estabelecimento da reforma ortogr\u00e1fica. 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