{"id":715,"date":"2013-09-23T00:36:21","date_gmt":"2013-09-23T02:36:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.dickinson.edu\/portugueseclub\/?p=715"},"modified":"2013-09-23T00:40:15","modified_gmt":"2013-09-23T02:40:15","slug":"feliz-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.dickinson.edu\/portugueseclub\/2013\/09\/23\/feliz-primavera\/","title":{"rendered":"Feliz Primavera!"},"content":{"rendered":"<p>Estamos entrando no lindo outono Americano&#8230;<\/p>\n<p>Folhas amarelando e caindo&#8230; Clima esfriando&#8230;<\/p>\n<p>Enquanto isso, a Primavera vai se instalando lentamente no hemisf\u00e9rio sul e enchendo as paisagens de beleza!<\/p>\n<p>Para comemorar a chegada desta data t\u00e3o especial, 23 de setembro, deixo o texto de Cec\u00edlia Meireles, chamado &#8220;Primavera&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #ba231b;font-family: Arial;font-size: large\">Primavera<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><b><strong><span style=\"font-family: Arial;font-size: medium\">Cec\u00edlia Meireles<\/span><\/strong><\/b><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana;font-size: small\">A primavera chegar\u00e1, mesmo que ningu\u00e9m mais saiba seu nome, nem acredite no calend\u00e1rio, nem possua jardim para receb\u00ea-la. A inclina\u00e7\u00e3o do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo ch\u00e3o, come\u00e7am a preparar sua vida para a primavera que chega.<\/span><\/p>\n<p>Finos clarins\u00a0que n\u00e3o ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das ra\u00edzes, \u2014 e arautos sutis acordar\u00e3o as cores e os perfumes e a alegria\u00a0de nascer, no esp\u00edrito das flores.<\/p>\n<p>H\u00e1 bosques de rododendros que eram verdes e j\u00e1 est\u00e3o todos cor-de-rosa, como os pal\u00e1cios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos come\u00e7am a ensaiar as \u00e1rias tradicionais de sua na\u00e7\u00e3o. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, \u2014 e certamente conversam: mas t\u00e3o baixinho que n\u00e3o se entende.<\/p>\n<p>Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo c\u00e9u o primeiro raio de sol.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma primavera diferente, com as matas intactas, as \u00e1rvores cobertas de folhas, \u2014 e s\u00f3 os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os bra\u00e7os carregados de flores, e vem dan\u00e7ar neste mundo c\u00e1lido, de incessante luz.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 certo que a primavera chega. \u00c9 certo que a vida n\u00e3o se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens ter\u00e3o a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do c\u00e9u. E os p\u00e1ssaros ser\u00e3o outros, com outros cantos e outros h\u00e1bitos, \u2014 e os ouvidos que por acaso os ouvirem n\u00e3o ter\u00e3o nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.<\/p>\n<p>Enquanto h\u00e1 primavera, esta primavera natural, prestemos aten\u00e7\u00e3o ao sussurro dos passarinhos novos, que d\u00e3o beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas \u00e1rvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente est\u00e3o sendo tecidos os manac\u00e1s roxos e brancos; e a euf\u00f3rbia se vai tornando pulqu\u00e9rrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gard\u00eanias ainda est\u00e3o sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.<\/p>\n<p>Tudo isto para brilhar um instante,\u00a0apenas, para ser lan\u00e7ado ao vento, \u2014 por fidelidade \u00e0 obscura semente, ao que vem, na rota\u00e7\u00e3o da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida \u2014 e ef\u00eamera.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana;font-size: small\"><i>Texto extra\u00eddo do livro &#8220;<\/i>Cec\u00edlia Meireles &#8211; Obra em Prosa &#8211; Volume 1<i>&#8220;, Editora Nova Fronteira &#8211; Rio de Janeiro, 1998, p\u00e1g. 366.<\/i><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para complementar, uma m\u00fasica do mesmo tema, inicialmente cantada por Tim Maia e neste v\u00eddeo regravada por Maur\u00edcio Manieri:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8lEP355xpaY\">Primavera<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E para concluir, um poema de Mario Quintana:<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>Can\u00e7\u00e3o da Primavera &#8211; Mario Quintana<\/h3>\n<div>(Para \u00c9rico Ver\u00edssimo)<\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"post-body-7263715798859276566\">Primavera cruza o rio<br \/>\nCruza o sonho que tu sonhas.<br \/>\nNa cidade adormecida<br \/>\nPrimavera vem chegando.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Catavento enlouqueceu,<br \/>\nFicou girando, girando.<br \/>\nEm torno do catavento<br \/>\nDancemos todos em bando.Dancemos todos, dancemos,<br \/>\nAmadas, Mortos, Amigos,<br \/>\nDancemos todos at\u00e9<br \/>\nN\u00e3o mais saber-se o motivo&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 que as paineiras tenham<br \/>\nPor sobre os muros florido!<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos entrando no lindo outono Americano&#8230; Folhas amarelando e caindo&#8230; Clima esfriando&#8230; Enquanto isso, a Primavera vai se instalando lentamente no hemisf\u00e9rio sul e enchendo as paisagens de beleza! 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